
Comprar um smartphone novo no Brasil continua sendo um desafio para muitos consumidores. Mesmo com a alta competitividade do mercado e o avanço da produção nacional, os preços dos aparelhos permanecem entre os mais altos da América Latina.
Enquanto em países vizinhos como Argentina, Chile e Paraguai é possível encontrar modelos top de linha com valores bem mais acessíveis, no Brasil os impostos, a carga tributária e os custos de importação elevam significativamente o preço final.
A diferença pode ultrapassar 40% entre o mesmo modelo vendido em diferentes mercados. O Nominimo explica neste artigo por que o brasileiro ainda paga tão caro por tecnologia e como o país se compara com seus vizinhos latino-americanos.
A carga tributária como principal vilã
O primeiro e mais conhecido fator que encarece os smartphones no Brasil é a alta carga tributária. Estima-se que mais de 40% do preço de um celular seja composto por impostos federais e estaduais.
Tributos como ICMS, IPI, PIS e Cofins impactam diretamente o custo de importação e de produção local. Mesmo com incentivos fiscais oferecidos por polos industriais — como o de Manaus —, o preço final ainda é muito superior ao de países que têm regimes tributários mais simples.
Além disso, a burocracia alfandegária e os custos logísticos internos elevam o valor de transporte e distribuição, o que também pesa no bolso do consumidor.
Comparativo com países da América do Sul
A diferença de preços entre o Brasil e seus vizinhos é significativa. Em 2025, modelos de ponta como iPhone 15 Pro e Samsung Galaxy S24 podem custar até 35% mais caros em território brasileiro.
No Chile, onde as taxas de importação são mais baixas, o mesmo aparelho chega às lojas com valores até R$ 2.000 menores. Já no Paraguai, destino popular para compras de eletrônicos, a diferença pode ultrapassar R$ 3.000, dependendo do modelo.
Na Argentina, mesmo com a inflação elevada, políticas de incentivo à produção local ajudam a manter os preços mais competitivos em algumas categorias intermediárias.
Esse cenário leva muitos brasileiros a recorrerem ao chamado “turismo de compras”, especialmente em cidades de fronteira como Ciudad del Este, para economizar na aquisição de celulares e eletrônicos em geral.
A influência do câmbio e da produção nacional
Outro fator determinante é o câmbio. O real desvalorizado frente ao dólar eleva os custos de importação, já que boa parte dos componentes eletrônicos é comprada em moeda estrangeira.
Mesmo com fábricas instaladas no Brasil, grande parte das peças ainda vem do exterior, o que torna os preços sensíveis às variações cambiais. Quando o dólar sobe, o preço dos smartphones sobe junto.
Por outro lado, o avanço da produção nacional tem ajudado a equilibrar o mercado em alguns segmentos. Marcas que fabricam localmente conseguem reduzir parte dos custos e oferecer aparelhos intermediários a valores mais competitivos. Ainda assim, o impacto da tributação e da instabilidade econômica continua limitando a queda de preços.
O papel da tecnologia e das marcas premium
As marcas de ponta seguem ditando o ritmo do mercado e, consequentemente, dos preços. Modelos premium com tecnologias de ponta — câmeras avançadas, telas dobráveis e IA integrada — chegam ao Brasil com valores que ultrapassam R$ 10 mil.
Já nos países vizinhos, a presença de políticas de incentivo à importação e acordos comerciais regionais tornam a chegada desses aparelhos mais acessível. Além disso, o custo de marketing e operação no Brasil, um dos maiores mercados consumidores da região, é mais alto, o que acaba sendo repassado ao preço final.
Enquanto isso, o público brasileiro tem buscado alternativas. O mercado de smartphones intermediários e de aparelhos recondicionados cresce a cada ano, oferecendo opções com bom desempenho e preço mais justo.
Caminhos para um mercado mais acessível
Especialistas apontam que a redução da carga tributária sobre produtos tecnológicos seria o caminho mais eficaz para tornar os smartphones mais acessíveis no Brasil. Outra medida seria incentivar ainda mais a produção nacional, investindo em inovação e cadeias produtivas locais.
A educação financeira e o consumo consciente também ganham espaço. Cada vez mais brasileiros pesquisam, comparam e adiam a troca de aparelho, priorizando qualidade e durabilidade em vez de lançamentos anuais.
Além disso, o crescimento do mercado de usados e plataformas de recompra contribui para democratizar o acesso à tecnologia, oferecendo opções seguras e mais econômicas.
O alto custo dos smartphones no Brasil é resultado de um conjunto de fatores — impostos, câmbio, logística e estrutura de mercado. Enquanto países vizinhos conseguem equilibrar melhor esses elementos, o consumidor brasileiro continua pagando mais caro pela inovação.
Ainda assim, há sinais de mudança. A popularização dos modelos intermediários, o avanço da produção nacional e o debate sobre reforma tributária podem tornar o cenário mais favorável nos próximos anos.
Até lá, comparar preços e planejar bem a compra continua sendo a melhor estratégia. Para acompanhar mais análises sobre tecnologia, consumo e mercado digital, continue lendo o Nominimo e descubra como o Brasil pode alcançar um futuro mais acessível em conectividade.

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